Ontem peguei um ônibus no meio da tarde e fiquei surpresa com a quantidade de gente nele. Foi um parto apenas conseguir passar pela catraca e acabei tendo que ficar de pé ao lado da porta (com outras 10 pessoas ao meu redor só naquele raio de 2 metros). Uma coisa boa de ter uma galera assim espremida é que você não desliza pra lá e pra cá nas curvas. Entretanto, quando alguém, digamos, sobrepeso embarca e precisa passar pela parte mais estreita do corredor - quando você se encontra bem ali -, no fundo da sua mente não existe amor ao próximo. Mas você se encolhe, correndo o risco de assediar inintencionalmente a senhora sentada no banco logo abaixo de você.
Sei que desta vez eu não tinha escolha, mas da próxima que eu tiver que dividir o ônibus com mais quintentas e doze pessoas, vou evitar ficar perto da porta. É que, quando você não consegue se mexer, você nunca sabe quando alguém precisa chegar até a saída pra descer - e tudo acaba sendo uma surpresa. Um senhor se apoiou no ferro no qual o botão de "Solicitar Parada" fica e seu braço
Porém, além do mau cheiro e crianças pentelhas que choram histericamente por toda a viagem, eu gosto quando há pessoas interessantes no ônibus. Tinha esse casal, por exemplo, que eu tenho quase certeza que trabalhava na Chilli Beans (emprego que é meu sonho de consumo bem lá no fundo do coração). Os dois eram pessoas inspiradoras no quesito moda: ela, de pele morena, cabelos curtinhos presos num rabo de cavalo, óculos old school, colete e all star; ele, alargadores, Ray-Bans, cabelo raspado. Posso estar sendo influenciada pelas bostas que são as novelas de hoje com seus pares românticos monocromáticos, mas um casal dois-amores cheio de estilo foi revigorante.
Além disso, eu vi na rua uma garota que eu tinha visto muito tempo atrás, quando ela pedalava sua bicicleta com os cabelos platinados, óculos e tatuagem no bracinho magro. Dessa vez ela estava de agasalho, por causa do frio dessa cidade maravilhosa, mas ainda assim era uma daquelas fotos que eu adoraria ter tirado.
Sei que o post já está longo, mas antes de ir eu queria comentar uma coisa. Na esquina da minha rua, tem uma casa térrea, ligeiramente sombria. Às vezes eu penso que é um cativeiro onde o proprietário mantém seus reféns e depois os mata, mas fica em off. O fato é que, a cada dia que eu passo na frente do portão, há um cachorro a mais. Vira-latas, na sua maioria. O lugar é péssimo, sujo e tem o odor mais fétido que eu já senti na vida. Hoje, por exemplo, eu contei 16 (DEZESSEIS!!) cachorros lá. Os animaizinhos ganiam e choravam e mal conseguiam transitar pelo quintal-canil imundo que o dono improvisou.
Assim, eu admiro aquelas pessoas que têm o empenho de cuidar de cachorros de rua em suas próprias casas, mas eu tenho a nítida impressão de que aqueles bichinhos não são cuidados de forma alguma. Uma pessoa deve saber seus limites e, se aquele cara não está dando atenção à eles, eu tenho medo de pensar qual é a finalidade daquilo. Se eu não tivesse um demoniozinho em forma de cadela
Ai, fiz uma bíblia. Quem chegou até aqui, amém.
2 comentários:
Peguei um ônibus parecido ontem quando estava vindo para o centro. Achei muito divertido -n hahahaue
lembro quando você me disse dessa guria que viu na rua
fiquei curioso pra vê-la, agora que você sabe onde ela mora, um dia podemos ficar esperando ela sair. hahaha
beijo bm
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